Agrupamento de Escolas de Ermesinde assinala o Dia Internacional do Migrante

No passado 18 de dezembro, o Agrupamento de Escolas de Ermesinde assinalou o Dia Internacional do Migrante, uma data instituída pelas Nações Unidas no ano 2000, com uma atividade de reflexão, partilha e sensibilização junto da comunidade escolar.

Sob o mote “E se fosse comigo?”, a iniciativa procurou promover a empatia, o respeito pela diversidade e a valorização das experiências de alunos migrantes, reforçando o papel da escola como espaço de inclusão, diálogo intercultural e cidadania.

A atividade foi dinamizada pela Professora Helena Castro, Mediadora Linguística e Cultural do Agrupamento, com a colaboração das Professoras de Português Língua Não Materna (PLNM) Sílvia Amorim e Daniela Ferreira. A iniciativa desafiou os alunos a colocarem-se no lugar do outro e a refletirem sobre as realidades vividas por quem migra. No âmbito desta comemoração, dois alunos do 9.º E partilharam os seus testemunhos, dando voz às vivências, sentimentos e reflexões associadas à migração.


“E se fosse comigo?”

por Helena Castro
Mediadora Linguística e Cultural do Agrupamento de Escolas de Ermesinde

Pode ser uma frase batida, mas as coisas que parecem básicas têm, tantas vezes, que ser lembradas. Por isso, falemos nesta, pensemos nesta, debatemos esta: “e se nós fossemos migrantes?”

Nesta comunidade escolar encontrei professores disponíveis, uma direção exemplar e um corpo de auxiliares atento e expedito. Mas há sempre algo que podemos continuar a trabalhar para melhorar.

Nos registos que faço durante os contactos com os alunos, há queixas sobre comentários depreciativos baseados na cor da pele. E são inaceitáveis. Não por sermos de esquerda ou de direita. São inaceitáveis porque são de uma profunda ignorância – até – científica. De uma tremenda falta de caráter.

Enquanto educadores, temos o dever de ensinar o, e com, bom senso. Construir uma sociedade empática, uma sociedade justa e onde todos exerçam o seu direito a lutar por uma vida melhor. Uma vida boa.

Façamos o exercício de imaginar o que sentiríamos se fossemos lecionar para Angola e de pôr os nossos alunos a listar que coisas levariam se tivessem de sair de casa, porque está a ser bombardeada, ou como se sentiriam se o pai deles fosse atravessar o mar Mediterrâneo num barco de borracha sobrelotado, levando todo o dinheiro da família, para poder chegar à Europa e ali tentar arranjar um novo lar. Para todos.

Registem os resultados destes exercícios e partilhem-nos. Servirá de radiografia à realidade que vivemos nas escolas e dar-nos-á uma excelente base de trabalho para podermos melhorar em conjunto. Porque é possível.

Para assinalar este Dia Internacional do Migrante, instituído pelas Nações Unidas no ano 2000, desafiei dois alunos a escrever sobre o que sentem, na pele de alunos estrangeiros.


O que é ser migrante?

por Íris Portela, 9.º E

Ser migrante é viver entre dois mundos. É partir de um lugar que chamamos casa, muitas vezes não por escolha, mas por necessidade, e tentar reconstruir a vida noutro país, com uma língua, costumes e realidades diferentes. Migrar não significa apenas mudar de território; significa enfrentar desafios emocionais, sociais e culturais profundos.

O migrante carrega consigo memórias, tradições e identidades que fazem parte da sua história. Ao chegar a um novo país, depara-se com dificuldades como a adaptação ao sistema educativo, ao mercado de trabalho e, por vezes, com a falta de compreensão ou aceitação por parte da sociedade. Ainda assim, demonstra uma enorme capacidade de resiliência, coragem e esperança.

Ser migrante é também contribuir. Os migrantes participam ativamente na economia, na cultura e no desenvolvimento das comunidades que os acolhem. A diversidade que trazem enriquece a sociedade, promove o diálogo intercultural e ajuda a construir um futuro mais justo e inclusivo.

Compreender o que é ser migrante é reconhecer a humanidade comum que une todas as pessoas. É perceber que, acima de fronteiras e nacionalidades, todos partilhamos o mesmo desejo: viver com dignidade, segurança e oportunidades. Por isso, falar de migração é falar de respeito, solidariedade e direitos humanos.


A minha experiência como aluno estrangeiro

por Yaroslav Korablov, 9.º E

O meu nome é Yaroslav e tenho 14 anos. Sou ucraniano e vim para Portugal no verão de 2023.

Lembro-me da primeira vez que entrei numa escola portuguesa e o professor estava a conhecer os alunos. Nessa altura, só sabia dizer “olá”, “adeus” e “como estás?”. Só percebi a palavra “maionese” pelo discurso do professor.

Quando o professor me descobriu, incentivou todos os meus colegas a ajudarem-me ativamente. Ainda estou grato a esse professor.

O meu primeiro ano letivo em Portugal (sexto ano) correu relativamente bem e sem problemas. Tinha aulas de português tanto na escola como em casa e também falava constantemente com os meus colegas.

O ano seguinte, o sétimo ano, correu bem. Reforcei o meu português e já me conseguia expressar bem em público.

Agora estou no oitavo ano. Não creio que tenha sido difícil para mim ser imigrante. No total, tinha 10 aulas de português por semana, sem contar com a prática com os colegas. Aprendi a língua relativamente rápido e consegui integrar-me na sociedade portuguesa.


Com esta iniciativa, o Agrupamento de Escolas de Ermesinde reafirma o seu compromisso com uma educação inclusiva, promotora do respeito pelos direitos humanos, da diversidade cultural e da construção de uma escola onde todos se sintam acolhidos e valorizados.

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